Perspectivas para o Setor de Agregados

 

O setor de agregados para construção apresentou em 2014 uma demanda da ordem de 740 milhões de toneladas de brita e areia. Em relação a 2013, praticamente manteve-se estável.

A oferta foi gerada por 3100 empresas produtoras. O consumo per capita foi de 3,7 toneladas/habitante/ano. Demais estatísticas sobre a indústria de agregados podem ser visualizadas no Quadro 1 abaixo.

quadro1  

O quadro 2 abaixo mostra as variações de demanda x população brasileira de acordo com as regiões geográficas. Nota-se que há uma grande variação no consumo per capita de acordo com as regiões em tonelada/habitante/ano – 2,7 Nordeste; 3,1 Norte; 4,1 Sul e Sudeste; 4,5 Centro Oeste.

grafico2

O Gráfico 3 abaixo mostra que após experimentar um crescimento médio verdadeiramente considerável de 6,2% ao ano (CAGR - Compound Average Growth Rate) no período de 2000 a 2014, o setor de agregados  sofreu  uma queda de cerca de 30% em 2015, com um volume estimado de 519 milhões de toneladas, base no período compreendido entre janeiro e outubro e projetado para o ano. Trata-se de uma queda acentuada, talvez a pior redução, em base anual, já observada no histórico do setor, ou seja, condição praticamente inexprimível.

Houve um recuo de 7 anos, ou seja, regrediu-se ao mesmo nível de 2008.

grafico3

Para o período de 2016 a 2019 estima-se uma projeção onde haverá um recuo da ordem de 5% em 2016 em relação a 2015, decrescendo para 493 milhões de toneladas, mantendo-se a mesma quantidade em 2017 e um aumento de 3% para 2018 e 7% para 2019, respectivamente, atingindo 543 milhões de toneladas em 2019.

Comparativamente com diferentes países e regiões no mundo, o mercado brasileiro de agregados apresenta uma enorme demanda reprimida de agregados para realizar os investimentos necessários em infraestrutura e desenvolvimento urbano conforme pode ser visto no gráfico 4.

Foto quadro 4 novo

Com um IPCA no período de janeiro a novembro de 2015 de 9,62% e em doze meses de 10,48%, estima-se em uma taxa Selic que poderá superar a taxa atual de 14,25%, podendo atingir até 16% aa. Essas condições implicam elevação do desemprego, ou seja, redução da renda média, e aumento dos juros que por sua vez dificulta o crédito, já em níveis muito elevados.

Esta condição de curto prazo está em oposicão a uma expectativa de longo prazo, no qual o Brasil se encontra em um momento impar de sua história por estar passando pelo auge do período produtivo da população que vai de 2010 a 2034. Essa condição demográfica dos países que os estudiosos do Banco Mundial denominam de bônus demográfico significa que a força de trabalho (pessoas economicamente ativas) será muito maior que a população dependente, na relação 2/3 – 1/3, e que essa transição pode ser benéfica para o país, evitando as temíveis dificuldades sociais, fiscais e institucionais no futuro.

No entanto, tirar proveito ou não dessa situação, transformando as mudanças demográficas em crescimento, dependerá de uma série de políticas públicas que precisam ser implementadas com urgência, principalmente nas áreas de educação, saúde e previdência.

Em uma visão mais ampla as grandes questões mundiais que alteram significativamente a economia e a vida das pessoas tem um ciclo de cerca de 20 anos para depois tornarem-se perenes devido a sua importância. Assim por exemplo, na década de 1970, aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o esenvolvimento e Meio Ambiente Humano em Estocolmo, passando o termo meio ambiente a tornar-se essencial para todas as nações e sociedades.

Após este assunto estar incorporado no cotidiano de todos, na década de 1990, iniciado após a queda do muro de Berlim em 1989, e, posteriormente, com o desaparecimento da União Soviética, a questão da globalização tornou-se predominante pelos 20 anos seguintes. Já nesta década o assunto em pauta será a urbanizacão, discussão que possivelmente se dará pelos próximos quinze a 20 anos. Justifica-se pelo fato de que a mancha urbana deverá triplicar de área em 2030 quando comparada com o ano 2000.

Uma das consequências disso tudo é que o consumo de matérias primas para construção deverá ter um crescimento verdadeiramente notável, podendo facilmente superar esse ciclo atual de previsões negativas pelos quais estamos passando.

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